Cantate Domino cantico novum, qui mirabilia fecit
Música Sacra
A Música Sacra, em sua forma mais pura e elevada, sempre ocupou um lugar de eminência na vida litúrgica da Igreja Católica...
Curadoria Litúrgica
Louvores que levam a congregação a refletir e introduzem os fiéis ao momento da adoração e da comunhão entre as pessoas no ambiente religiosos,
Direção Musical
Com mais de três décadas dedicadas à Música Sacra, Marcelo Henrique de Carvalho construiu uma carreira sólida...
Música Sacra
A Música Sacra, em sua forma mais pura e elevada, sempre ocupou um lugar de eminência na vida litúrgica da Igreja Católica. Desde os tempos apostólicos, o povo de Deus expressa sua fé e sua adoração não apenas pela palavra, mas também pelo canto, que é, em sua essência, oração elevada ao Altíssimo. O coral litúrgico, nesse contexto, constitui não meramente um adorno estético das celebrações, mas um elemento intrínseco ao próprio mistério do culto, instrumento privilegiado de santificação e de comunhão espiritual entre os fiéis e o Criador.
Desde os primórdios do Cristianismo, o canto assumiu função central na oração comunitária. Os salmos, ainda herdados da tradição hebraica, eram entoados em uníssono pelos primeiros cristãos, e deles nasceu a veneranda tradição do canto coral. A voz humana, elevada em conjunto, traduz a unidade da fé e a harmonia que deve existir entre os membros da Igreja, corpo místico de Cristo. Nesse sentido, o coral litúrgico é expressão viva do que Sacrosanctum Concilium denomina “participação plena, consciente e ativa” dos fiéis na liturgia, pois, ao cantar, o povo inteiro se une ao mistério celebrado, fazendo-se parte ativa do sacrifício eucarístico.
O Magistério da Igreja reforça repetidamente a importância e a dignidade da música sacra. A constituição Sacrosanctum Concilium (n. 112) afirma que “a música sacra será tanto mais santa quanto mais intimamente estiver unida à ação litúrgica”, ressaltando que o objetivo fundamental do canto não é o deleite humano, mas a glorificação de Deus e a santificação das almas. De modo semelhante, São Pio X, no motu proprio Tra le Sollecitudini (1903), definiu a música sacra como aquela “que possui em grau supremo as qualidades da santidade, da verdadeira arte e da universalidade”. Tais princípios ressoam ainda hoje como norma e inspiração para todos os coros que servem à liturgia, elevando suas vozes com devoção e reverência no sagrado espaço do templo.
O coral litúrgico, bem formado e espiritualmente consciente de sua missão, exerce função pedagógica e mística ao mesmo tempo. Por meio das melodias que acompanham as orações, os salmos e os hinos, ele se torna mediador da Palavra divina, fazendo-a ressoar de modo mais penetrante no coração dos fiéis. A música coral ilumina o sentido profundo das celebrações, conduz a assembleia à contemplação e faz com que o mistério do altar seja percebido não apenas pela razão, mas pelos sentidos transfigurados pela fé. É um ministério que exige não apenas habilidade técnica, mas também vida interior e espírito de oração.
A harmonia polifônica, nascida do canto gregoriano e desenvolvida ao longo dos séculos com a genialidade de mestres como Palestrina e Victoria, reflete, de modo simbólico, a comunhão da Igreja. Cada voz, distinta em timbre e função, encontra seu lugar na construção do todo sonoro, em analogia direta com a constituição orgânica do corpo eclesial: diversos membros, mas um só Espírito. Tal unidade na diversidade é, em si mesma, um testemunho da catolicidade que transcende as fronteiras de tempo e espaço. Quando o coral canta, unido em uma só alma e em um só coração, torna-se imagem do céu, onde os santos e os anjos eternamente entoam: Sanctus, Sanctus, Sanctus.
A beleza própria da música coral confere ao rito sagrado um caráter de solenidade que conduz o espírito ao mistério. Sacrosanctum Concilium (n. 120) recorda que “o canto gregoriano ocupa o primeiro lugar como próprio da liturgia romana”, mas também reconhece o valor das outras formas musicais, desde que “estejam de acordo com o espírito da ação litúrgica”. Assim, a Igreja não repele as novas linguagens artísticas, mas as orienta e purifica, para que todas contribuam à edificação espiritual dos fiéis e à glorificação do nome de Deus.
Além de sua dimensão estética e simbólica, o coral litúrgico possui valor pastoral incomensurável. Ele educa na escuta e na comunhão, ensina o valor da disciplina e do serviço, e recorda que toda arte verdadeiramente sagrada deve nascer da fé e conduzir à fé. Em um mundo marcado pelo ruído e pela fragmentação, o coral torna-se oásis de harmonia, lugar em que a alma reencontra o silêncio fecundo da oração e a beleza que conduz ao mistério. Seu canto é um testemunho de esperança, um pequeno reflexo do Verbo que se fez som, melodia e ressonância no coração humano.
Assim, o coral na liturgia católica não é mera tradição estética, mas vocação e ministério. Ele perpetua o louvor eterno, torna presente, na tessitura das vozes, o mistério do Verbo encarnado e ajuda o povo de Deus a unir sua voz à do Cristo que, na cruz, entoou seu último cântico de amor e de redenção. Onde há um coral que canta com piedade e arte, ali a liturgia resplandece em toda a sua nobreza, e o sagrado se torna audível como uma antecipação do cântico eterno que se eleva no Céu.
Curadoria Litúrgica
A Curadoria Litúrgica, no âmbito do Coro São Bento, é uma ação pastoral e teológico-artística que visa garantir que o repertório, as execuções e o testemunho musical estejam em plena sintonia com o mistério da Liturgia da Igreja. Trata-se, antes de tudo, de um serviço à fé e à comunidade eclesial, não de uma simples escolha de repertório. O curador litúrgico – Alexsandro Rodrigo Alves – atua como mediador entre o patrimônio musical sacro, a teologia litúrgica e a realidade concreta da assembleia que celebra.
Sua missão consiste em discernir, à luz dos tempos litúrgicos e da espiritualidade cristã, quais obras comunicam com autenticidade o conteúdo teológico de cada celebração. Para isso, é necessário profundo conhecimento das normas e princípios que regem a música litúrgica, como os apresentados na Sacrosanctum Concilium, no Instrução Musicam Sacram e no Diretório Litúrgico. O curador não escolhe músicas apenas pela beleza estética, mas pela capacidade de servir à oração e à participação ativa do povo de Deus.
Além disso, uma curadoria litúrgica deve cuidar da formação espiritual dos próprios coralistas. Cantar a liturgia é, de certo modo, participar do sacerdócio comum dos fiéis, e requer consciência de que a música, na Igreja, é sempre sinal de comunhão. Assim, o curador orienta ensaios, repertórios e interpretações segundo uma espiritualidade de serviço e reverência, promovendo o encontro entre arte e mistério.
Portanto, a Curadoria Litúrgica é um exercício de discernimento e de fidelidade: discernimento diante da riqueza da tradição musical cristã e fidelidade à liturgia enquanto fonte e cume da vida da Igreja. Onde há verdadeira curadoria litúrgica, a música sacra deixa de ser mero ornamento estético para tornar-se expressão viva da fé celebrada.
A Curadoria Litúrgica, no âmbito do Coro São Bento, é uma ação pastoral e teológico-artística que visa garantir que o repertório, as execuções e o testemunho musical estejam em plena sintonia com o mistério da Liturgia da Igreja. Trata-se, antes de tudo, de um serviço à fé e à comunidade eclesial, não de uma simples escolha de repertório. O curador litúrgico – Alexsandro Rodrigo Alves – atua como mediador entre o patrimônio musical sacro, a teologia litúrgica e a realidade concreta da assembleia que celebra.
Sua missão consiste em discernir, à luz dos tempos litúrgicos e da espiritualidade cristã, quais obras comunicam com autenticidade o conteúdo teológico de cada celebração. Para isso, é necessário profundo conhecimento das normas e princípios que regem a música litúrgica, como os apresentados na Sacrosanctum Concilium, no Instrução Musicam Sacram e no Diretório Litúrgico. O curador não escolhe músicas apenas pela beleza estética, mas pela capacidade de servir à oração e à participação ativa do povo de Deus.
Além disso, uma curadoria litúrgica deve cuidar da formação espiritual dos próprios coralistas. Cantar a liturgia é, de certo modo, participar do sacerdócio comum dos fiéis, e requer consciência de que a música, na Igreja, é sempre sinal de comunhão. Assim, o curador orienta ensaios, repertórios e interpretações segundo uma espiritualidade de serviço e reverência, promovendo o encontro entre arte e mistério.
Portanto, a Curadoria Litúrgica é um exercício de discernimento e de fidelidade: discernimento diante da riqueza da tradição musical cristã e fidelidade à liturgia enquanto fonte e cume da vida da Igreja. Onde há verdadeira curadoria litúrgica, a música sacra deixa de ser mero ornamento estético para tornar-se expressão viva da fé celebrada.
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Direção Espiritual
A Direção Espiritual do Coro São Bento é um acompanhamento que visa integrar a vida espiritual dos coralistas à missão litúrgica e artística que desempenham. Trata-se de um caminho de discernimento coletivo e pessoal, no qual a prática musical é entendida como meio de santificação e serviço à comunidade eclesial. Dom Plácido Fernando Farkas Guarnieri, OSB é o diretor espiritual e ajuda o grupo a reconhecer na música um espaço privilegiado de encontro com Deus e de testemunho da beleza da fé.
No âmbito eclesial, a Direção Espiritual tem o papel de despertar nos cantores uma consciência mais profunda da dimensão orante do canto litúrgico. Cada voz, afinada e oferecida em comunhão, torna-se um instrumento de graça, e o ato de cantar transforma-se em oração encarnada. Cabe ao diretor espiritual cultivar nos integrantes uma espiritualidade centrada na Palavra de Deus, na Eucaristia e na humildade de servir, evitando que a performance artística obscureça o sentido ministerial da música sacra.
Esse acompanhamento pode manifestar-se em retiros, momentos de oração e partilha, meditações sobre os textos cantados e diálogo contínuo sobre a vivência cristã. O objetivo não é apenas alcançar excelência estética, mas conformar o coração e a voz à liturgia da Igreja. Assim, o coral se torna um verdadeiro ministério, e não apenas um conjunto artístico: uma comunidade de fé que canta para evangelizar e glorificar.
Em síntese, a Direção Espiritual em um coral de música sacra é uma arte do discernimento e do cuidado das almas. Ela forma músicos orantes, conscientes de que a beleza, quando oferecida a Deus, é também expressão do amor e instrumento de santificação.
Dom Plácido
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Maestro
Marcelo Henrique de Carvalho
Detentor de uma trajetória marcada pela devoção à arte e pela fidelidade ao serviço musical da Igreja, o maestro Marcelo Henrique de Carvalho figura entre os mais respeitados nomes da música sacra e coral de sua geração. Atual regente do Coro São Bento, conduz com maestria um trabalho que une sensibilidade espiritual, rigor técnico e profundo conhecimento das tradições litúrgicas. Sua batuta, firme e contemplativa, traduz a harmonia entre fé e arte, levando o canto coral a alcançar sua verdadeira vocação: servir ao louvor de Deus e à edificação espiritual dos fiéis.
Com mais de três décadas dedicadas à Música Sacra, Marcelo Henrique de Carvalho construiu uma carreira sólida e coerente, pautada pelo compromisso com a excelência musical e o aprimoramento constante. Desde os primeiros anos de formação, demonstrou inclinação natural para a regência e um zelo incomum pela precisão estilística e pela expressão estética do repertório sacro. Essa vocação amadureceu ao longo de uma jornada que o levou a reger diversos corais paroquiais, cada um representando não apenas um espaço artístico, mas também uma comunidade viva de fé, a quem o maestro sempre soube inspirar por meio da beleza e da profundidade do canto.
Durante mais de uma década à frente do Coro do Sesi, Marcelo Henrique consolidou um trabalho de elevado prestígio, explorando tanto o repertório erudito quanto o popular, sempre sob uma perspectiva formativa e humanista. Sob sua direção, o grupo atingiu um notável nível técnico e interpretativo, conquistando reconhecimento pela disciplina, pela coesão sonora e pela expressividade de suas apresentações. Essa experiência no universo coral laico, aliada à sua sólida formação espiritual e musical, conferiu-lhe uma rara amplitude de visão — capaz de transitar com naturalidade entre o sagrado e o artístico, entre o palco e o altar.
À frente do Coro São Bento, o maestro reafirma sua vocação essencial: colocar a música a serviço da liturgia, em consonância com o espírito da Igreja e com as orientações de documentos como a constituição Sacrosanctum Concilium, que ensina que “a música sacra constitui parte necessária e integrante da solene liturgia”. Sob sua regência, o coro não apenas executa obras com elevado refinamento técnico, mas também comunica a dimensão espiritual que habita cada nota, cada frase, cada silêncio entre os sons. Sua abordagem combina o respeito às tradições do canto gregoriano e da polifonia renascentista com a valorização de compositores contemporâneos que preservam o espírito da arte sacra.
Marcelo Henrique de Carvalho é, antes de tudo, um educador da sensibilidade. Sua atuação transcende a batuta: ele forma coristas conscientes de que cantar na liturgia é evangelizar pela beleza, é fazer ressoar no templo a voz de uma comunidade orante. Cada ensaio, para ele, é um ato de comunhão e um exercício de transcendência. Assim, o maestro conduz não apenas um coro, mas uma comunidade musical que, sob sua direção, transforma o som em oração e a música em instrumento de fé.
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